O sócio n° 1 do F.C. Barreirense, o associativista
Alfredo Zarcos dedicou-se muito ao Barreirense, tendo sido membro da Assembleia Geral do Clube, como Primeiro Secretário, mais de uma dezena de vezes a partir de 1938. Foi co-fundador da Biblioteca do seu clube, em 1929, à qual muito se dedicou. O seu nome consta como editor de memoráveis números anuais, em Abril, d´ O Barreirense, órgão dos alvi-rubros, de 1944 a 1951 (exceptuando 1945). Usou lá, também, o pseudónimo “rubro-branco”. (Que chegou a ser usado por um amigo do mesmo clube). Quando Zarcos nos deixou para sempre, era já havia anos, o orgulhoso sócio nº 1 do seu clube. Dizia Zarcos que o dia mais feliz da sua vida associativa foi a inauguração do epopeico Ginásio-Sede do Barreirense, em 20-5-1956, em que verteu bastantes lágrimas ... de alegria. Tornou-se, a partir de 1960, por vários anos, redactor d´ O Barreirense, que passara a mensário. E quase até ao fim, em adiantada idade, não faltava a um jogo das primeiras do F.C.B. no seu estádio. O seu fervor pelo Barreirense não o impediu de demonstrar arreigada mística bairrista de que beneficiaram todos os outros clubes e colectividades do Barreiro. Foi muito galardoado ao longo dos anos. Em 1995, para sua surpresa, foi homenageado pelo Luso F.C., clube do qual nunca fora sócio.
Em meados dos anos 40, o Barreirense levou a efeito dois “Concursos de Quadras e Pensamentos” alusivos ao próprio Clube. As peças premiadas foram então reproduzidas profusamente em finas folhas coloridas, distribuídas e vendidas, em tudo o que era lugar, em prol da futura Sede do Clube. (Que algumas de tais folhas, impressas nas oficinas da Gazeta do Sul, Montijo, apresentassem erros de ortografia, a ninguém admirava!..).
Um dos pensamentos galardoados era oriundo de Alfredo Zarcos: “Barreiro! Barreirense! Duas palavras. Dois nomes queridos. Só uma ideia. Uma só finalidade: A nossa terra”. Todas as reflexões premiadas foram reproduzidas também em lindos azulejos postos à venda. Quando da inauguração do Ginásio-Sede uma boa série desses azulejos foram instalados nas paredes da cave-restaurante do edifício. Bons anos mais tarde, quando da renovação daquele lugar (seria lá o primeiro bingo), espíritos ímpios não encontraram melhor solução do que, em acto de vandalismo, destruir todos os azulejos. Alfredo Zarcos observou o resultado daquela acção. Jurou nunca mais visitar a cave do bingo do seu Clube. O que cumpriu.
Afirmou Zarcos em entrevista, que o desporto, em sentido restrito, por todo o lado se transformava em puro espectáculo, tudo passara a ser dominado pelo poder financeiro. Cada vez tinha maior admiração pelos clubes pequenos… Quanto a colectividades recreativas, o nosso evocado prendeu-se mais aos Penicheiros e aos Franceses. Esteve muito ligado aos Bombeiros e à Misericórdia. Também era grande apreciador de música. Aprendera flautim na escola e aos 12 anos tocava na Banda da CUF, onde actuou 4 anos. Estudou esperanto, como muitos outros no Barreiro.
Ao longo da vida Alfredo Zarcos irradiou simpatia, demonstrou um porte íntegro, em qualquer situação ou época. Um grande exemplo, em suma... Faleceu, com 92 anos, em 3 de Abril de 1999. Escreveu na imprensa quase até ao último alento. O seu derradeiro texto foi inserido no Jornal do Barreiro de 5 de Março, a um mês do seu passamento.
Citação: Do artigo “Barreiro, Terra de Trabalho“ que Alfredo Zarcos, no início de sua carreira jornalística, assinou em 1936 n´ O Barreiro,respiga-se: “... Barreiro, terra de labuta permanente, onde os homens são gigantes do trabalho, lutadores da lima, do martelo, da plaina e das alavancas, quais guerreiros medievais em torneios de destreza e força. ... Barreiro, terra de trabalho de um labor intenso, que albergas em teu seio a força, a energia, a inteligência, a vontade indomável traduzidas no trabalho e progresso, divisa eterna a quem serviste de berço”. |
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