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  31. MANUEL TEIXEIRA GOMES
  32. CORREIA DE SÁ, 4º CONDE DO LAVRADIO
  33. M. GUALDINO  “DO COMBOIOZINHO”
  34. BELISÁRIO PIMENTA
  35. ARTUR AGOSTINHO
  36. ANTÓNIO JOSÉ “DA LOURA”

 

   

Catedral desportiva
(Fado de Domingos Silva)

Ser Barreirense é viver
Mais anos com alma viva,
Pois temos esse prazer
Na Catedral desportiva.
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Dás engenheiros, doutores.
Oh!... Barreiro do meu ser,
Dás arquitectos, pintores,
Ser Barreirense é viver!

Dás um ginásio imponente
Por mão associativa,
Assim deslumbras a gente
Mais anos com alma viva.

Dás músicos, cançonetistas
E outros de fama a valer.
Nascente de desportistas
Pois temos esse prazer.

Embora paradoxal
Tens uma Fragata activa,
Que guia o leme afinal
Da Catedral desportiva.

Nota: “Fragata” refere-se
a António Balseiro Fragata,
o Presidente da Grande Co-
missão do Ginásio-Sede,
notável dinamizador da
majestosa obra inaugu-
rada em 1956.

 
   
           
   
 

Domingos Silva (1908-1978)

Ferroviário, cantador, versejador do fado

O Barreiro foi localidade de fortes tradições fadistas. Por exemplo, na segunda parte dos anos 10 do século passado – período das enormes convulsões da I República, agravadas pela forçada participação na I Guerra Mundial nos campos da Flandres, onde não faltaram os gases mortíferos – existia no Barreiro grande número de cultores do fado.
Acometidos por melancólicas paixões, os fadistas exprimiam os seus estados de alma em inflamadas estrofes, acompanhando-as ao som das guitarras. Alguns versos não se perderam, como: “Ciência, mãe do Progresso / Dai ao mundo educação / P´ra que acabem as guerras / De nação contra nação”. Ou então: “Se um dia morresse o Fado / Este céu de Portugal / Nunca mais seria azul / Nem o Tejo de cristal”. No Barreiro, as serenatas decorriam, por exemplo, no Café da Chic (Largo Casal), ou em colectividades como o Grémio ou depois o Clube 22 de Novembro, na taberna do Alto de Santa Bárbara e, durante decénios, nas tascas das ruas Miguel Pais ou Aguiar. Também numa ou noutra quinta de proprietário endinheirado, aonde por vezes acorriam artistas lisboetas.
A tradição da cultura fadista ainda se manteve bem acesa na vila até aos finais dos anos 40. (Pontificava então o grupo “Os Marialvas”, onde actuava a fina-flor local). Existiam óptimos intérpretes, como Aurora Sobral, ali para o Largo das Obras.
O “Rouxinol do Sul”
Para este texto foi seleccionado o grande versejador, cantador de fado Domingos António da Silva Jr., também executante, com grande intuição, da guitarra e da viola. Veio ao mundo na Travessa de S. Francisco, Barreiro Velho, em 29 de Fevereiro de 1908. (Era filho de Domingos da Silva, natural de Amares, distrito de Braga, de profissão maquinista  dos CFSS/CP e de Marcelina Rosa, barreirense).
O nosso evocado - que em miúdo perdeu uma vista em acidente - foi autêntico jovem-prodígio. Dotado de linda voz, possuidor de rara natureza artística, já aos dezasseis anos cantava nos teatros do Barreiro. Em grande surgiu no ano de 1937, interpretando a canção nacional, em breve com versos de sua autoria. Por vezes acompanhava-se ele-próprio ao som de guitarra ou viola. Fazia-o em cálidas noites de Verão, ao ar livre, no Largo Rompana, ou na taberna do “Rambóia”. (Em prédio já demolido). De profissão, Domingos tornou-se escriturário dos Caminhos de Ferro (CP) da vila.  Senhor daquela voz melodiosa, diferente de todos as outras, também se exibiu com assiduidade em Lisboa, com as maiores estrelas nacionais (como Hermínia Silva, Alfredo Marceneiro), em especial no “Café Mondego”, durante bons anos, e no “Solar da Alegria”. Era humano, cantou muito para beneficência, como em festas a favor do Asilo D. Pedro V, do Barreiro. Esteve contratado durante anos pela Empresa José Miguel & Irmão. Recebeu o lindo epíteto de “Rouxinol do Sul” pelo qual era conhecido entre os amigos, conhecidos e no mundo do fado. 
Ainda não caiu no esquecimento o grande desaguisado que existiu entre Domingos Silva e o tenente Monteiro, de alcunha o “Gaspar Pinto”, militar da G.N.R., gozão ou mauzão, conforme as ocasiões. Tratou-se de acesa discussão em torno do reportório do Domingos. A partir desse incidente, o “Rouxinol do Sul” cortou com as actuações no Barreiro, durante anos. Exibia-se só na Capital ou nas redondezas. O cantador, versejador, intérprete da canção nacional, faleceu em 19 de Agosto de 1978.
Recorda-se, neste trabalho, o semanário Guitarra de Portugal, publicação de longa existência. Nesta edição de 1947, a Guitarra...elogia muito o artista “consciencioso, sabedor, correcto. Poucos artistas se podem gabar de possuir tantas e tão apreciadas qualidades. Funcionário honesto, nem um momento sequer se esqueceu dos seus deveres de cidadão e de chefe de família”. Domingos Silva, havia anos já com cartão de profissional, confessa na entrevista que o fado castiço, o retinto, lhe fala mais ao sentimento, porém, por respeito ao público, vai interpretando cada vez mais fado moderno. 
Quando da gesta do Ginásio-Sede do F. C. Barreirense (anos 40/50) ainda se realizaram algumas sessões de fados para angariação de fundos. Para finalizar, escolhemos a letra de um fado da autoria do “Rouxinol do Sul” em honra dos barreirenses, dos obreiros do Ginásio-Sede, inaugurado de modo cintilante em Maio de 1956.
Nota final: Três irmãos de Domingos Silva mostraram propensão, não para o fado, mas para o futebol. Marcelino, que morreu jovem, foi co-fundador dos Unidos “Grandes”, sediado na Trav. Luís de Camões, depois no Largo das Obras. Seus irmãos Lenine (half de ataque) e Albino (back) atingiram bom nível no desporto-rei, chegando ambos a actuar no primeiro team do Barreirense, anos 40. Lenine também jogou na CUF de Lisboa, por fim, no União de Montemor, em cuja vila se radicou para sempre.