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JÚLIO DE ARAÚJO (1891 – 1977)
Agente comercial, dirigente e publicista desportivo, desportista ecléctico

1 - Residente no Barreiro dos 4 aos 18 anos. 
2 - “Data de 1901 a prática do foot-ball no Barreiro”. A génese do desporto-rei local.
3 - Figura eminente do Sporting Clube de Portugal. Publicista desportivo
4 - Profissão: agente comercial. Vulto do portuguesismo no Rio de Janeiro
5 - O SPORTING e o BENFICA muito beneficiaram do “FILÃO” do Barreiro. Um à parte
6 - Em 2001, “100 anos de Futebol no Barreiro”.

 

Júlio de Araújo foi testemunha, quando garoto, do nascimento do foot-ball no Barreiro. Tal sucedeu em 1901, o que ele viria um dia a registar na imprensa da vila. Em 1907, com seu irmão José, foi dos co-fundadores do Sport Barreirense. Rumou para Lisboa aos 18 anos, vindo a tornar-se uma legenda do Sporting Clube de Portugal, uma figura bem marcante, histórica, entre os grandes presidentes da colectividade.  
Muitos dos preciosos elementos (incluindo a grande maioria das fotos) contidos neste trabalho foram-nos muito gentilmente cedidos em Fev. de 2001, a partir do Porto, pela filha de Júlio de Araújo, a senhora Drª Maria Alice Costa Araújo F. e C., o que muito agradecemos. O contacto desta senhora fora-nos fornecido por seu primo barreirense Dr. José Pedro da Costa. (Antigo Editor, depois Director, do “Jornal do Barreiro” em 1954/56).
São bem necessárias algumas referências ao pai do nosso biografado, José Luís Barreiros Cardoso de Araújo. Durante anos prestou serviço como telegrafista nos Correios de Santarém, cidade onde lhe nasceram os quatro descendentes: Henrique, José, Júlio e Noémia. A esposa Maria Delfina, era natural de Coruche, onde ele estivera colocado antes.
José Luís foi transferido para o Barreiro, durante - crê D. Maria Alice – o ano de 1895, tornando-se responsável pelos Correios. Estes situavam-se, na época, a poucos metros da Igreja Matriz, em primeiro andar do lado norte da Praça Velha, contíguos ao prédio onde se localizava a presidência do Município. (E onde no rés-do-chão, anos mais tarde, se encontrava o denominado “cinquenta”...). De boas famílias, culto, simpático, José Luís desde logo se relacionou com pessoas relevantes da vila (como fossem as famílias Costa, Covacich, Miranda, Ryder, Pimenta, Vasconcelos), animando reuniões sociais e artísticas na Capricho Barreirense e no Grémio Barreirense, este fundado em Jan. 1904. (Neste contexto assinale-se que no Barreiro Velho existe a Travessa do Grémio, onde surgiria depois o Clube 22 de Novembro, cruelmente desaparecido em 1978 em pasto de chamas). 
Em 1909, o alto funcionário dos Correios do Barreiro retornou a Lisboa, com a família. Dª Maria Alice, está de posse do “atestado de residência e bom comportamento” referente a seu pai, passado naquele 1909 pelo Regedor da Freguesia de Santa Cruz do Barreiro, Nicola Covacich.

 

1 – Residente no Barreiro dos 4 aos 18 anos.                         
O nosso biografado - de nome completo Júlio Cipriano Cruz Barreiros Cardoso de Araújo - veio ao mundo, como dito atrás, em Santarém, precisamente no dia 11 de Julho de 1891. Aprendeu a ler no Barreiro, na Escola Conde Ferreira. Concluiu o secundário em 1907 no (antigo) Liceu Passos Manuel, deslocando-se à Capital nos barcos a vapor, com seu irmão Henrique e (o futuro cunhado e grande amigo) Joaquim do Rosário Costa, com quem chegou a formar uma sociedade em Lisboa nos anos vinte.
No Barreiro, Júlio de Araújo já se mostrava um sportsman ecléctico. Chegou a ser dos melhores nadadores, e um bom no ciclismo, as modalidades desportivas que, com as corridas e a vela, eram as mais populares na vila antes da “chegada” do foot-ball. Em Lisboa, no Sporting, para além de continuar no futebol, Júlio ainda iria praticar, com valor, o ténis e o hóquei (em campo).
Desde jovem, o nosso evocado participou no teatro local. Eis uma historieta de temática teatral contada por sua filha. Numa peça realizada no Grémio, Júlio tinha que entrar em cena de modo barulhento. Fê-lo de modo tão estridente, que ganhou ali a alcunha camarra de “Estrondo”... Acentue-se que a família Araújo era muito dada às letras, em especial ao teatro. Alguns ascendentes de Júlio de Araújo encontram-se distinguidos na “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, com destaque para seu avô, Luiz António de Araújo (1833-1908), publicista muito popular e fecundo, especialmente dramaturgo e comediógrafo, autor de Almanaque de sucesso.
José Araújo, irmão do nosso evocado, e um dos co-fundadores do primeiro clube de futebol que existiu no Barreiro, também foi funcionário dos Correios, perecendo em Beja. Quanto a Henrique Araújo, o outro irmão e co-fundador do Sport Club Barreirense, era engenheiro civil, consagrou-se em Moçambique na área das pontes. A morte arrebatou-o na sua residência, no Maputo (antes Lourenço Marques), assassinado por malfeitores.

2 – “Data de 1901 a prática do foot-ball no Barreiro”. A génese do desporto-rei local       
Reza a história do futebol nacional, que a primeira bola (de couro) chegou a Lisboa em 1888, procedendo de Inglaterra. O Barreiro esperaria uns anitos até lhe aparecer o primeiro esférico a sério,
   
que “desembarcou” na vila somente em 1901, mas para ficar, e de que maneira... E se custava uma “mancheia de massa”, uma bola daquelas....
O Barreiro em breve se tornaria famoso pelo seu “filão”, ou “viveiro, ou “alfobre”, ou “empório“, ou “fonte copiosa” - haverá outras designações condignas - de ases do futebol. Era para “dar e vender”. Cite-se Júlio de Araújo:
“Data de 1901 a prática do foot-ball no Barreiro. António Maria de Oliveira, que estudara na Casa Pia, foi sem dúvida o introdutor de tal desporto”. Foi com esta frase que Júlio – com conhecimento pessoal de causa -  principiou a longa crónica intitulada “Um pouco de história…” no jornal “O Barreirense”, órgão do F. C. Barreirense, dado à estampa em Abril de 1927 por ocasião do 16° aniversário do clube. Reproduzimos aqui, em anexo, o histórico documento. O autor espraia-se pelo primeiro clube de foot-ball surgido no Barreiro, o Sport Club Barreirense. Recorda os nomes de vários dos jovens praticantes que então corriam atrás daquela bola, de início nos terrenos do Palácio do Coimbra, depois junto à Cordoaria Nicola.   
Também em anexo registamos relevante artigo saído no “Eco do Barreiro” de 1 de Maio do mesmo ano de 1927 em que se relata a Assembleia Geral comemorativa do aniversário do Barreirense. Nesta, o muito conceituado Júlio de Araújo (que então residia em Lisboa, e que já por duas vezes assumira o posto de Presidente da Direcção do Sporting Clube de Portugal) aceitou o convite para secretariar aquela assembleia.

 

3 – Figura eminente do Sporting Clube de Portugal. Publicista desportivo
Júlio de Araújo marcou uma época do historial do Sporting Clube de Portugal, fundado em 1906. Ingressou no clube pela mão do grupo Stromp. Em pouco tempo tornou-se figura de enorme projecção dos leões.
Citamos do que Eduardo de Azevedo, historiador do Sporting, deixou escrito, em obra antiga, a respeito do nosso rememorado (que pertenceu por várias vezes a corpos gerentes leoninos, entre as quais Presidente das Direcções de 1922/23 – Campeão de Portugal - e 1924/25): “Trabalhador incansável, Júlio de Araújo notabilizou-se por ter sugerido e concretizado iniciativas que abriram as portas do futuro Sporting. Foi dele que partiu a ideia de criação do “Boletim” que tanto contribuiu para o desenvolvimento e crescimento clubista. A sua presidência foi decisiva no aumento da massa associativa que passou de 300 sócios a mais de 3.000 ... e na quase invencibilidade do atletismo, do râguebi e da natação. Deve-se-lhe também a construção do Posto Náutico ... Júlio de Araújo tudo fez para que se atingisse o objectivo de tornar o Sporting tão grande como os maiores da Europa, como visionara o grande José Alvalade ... Foi quem mais trabalhou na selecção e registo de elementos necessários à materialização da “História e Vida do Sporting...”.
Para além de colaborador em publicações do Sporting, Júlio de Araújo também assinou crónicas em “Os Sports”, o jornal desportivo mais relevante do seu tempo. Décadas depois, “numa ronda de saudade”, chegou a dar gosto à pena no “Mundo Desportivo”, o sucessor d´ ”Os Sports”. Foi várias vezes agraciado pelo Sporting, destacando-se o “Leão de Oiro e Palma”.

4 – Profissão: agente comercial. Vulto do portuguesismo no Rio de Janeiro
Júlio de Araújo desposou a barreirense Alice Costa em 1918, que ele conhecia de criança no Barreiro. Do matrimónio nasceram José Júlio (1919-1992) e Maria Alice (n. 1925), que completariam cursos superiores. Quanto aos estudos, Júlio desejou quedar-se pelo curso liceal. No mesmo ano em que deixou o Barreiro com a família, a caminho de Lisboa, o nosso homenageado embarcou para Angola, onde foi empregado de escritório até 1912. De volta à Capital partiu para o Brasil, onde se manteve dois anos. Regressou a Lisboa, exercendo actividade em várias firmas como agente comercial.  
Em Fev. de 1930 Júlio de Araújo demandou de novo o Rio de Janeiro, desta vez como Superintendente da Companhia Nacional de Navegação, que inaugurara carreiras regulares para o Brasil. Em 1932 são suspensas tais carreiras. Júlio de Araújo ainda ponderou tornar a trabalhar em Portugal, mas desistiu. Permaneceu para sempre no Rio de Janeiro em várias actividades comerciais. Ainda se deslocou algumas vezes a Portugal, mas sempre por pouco tempo. Sentia o dever de prestar os melhores serviços à comunidade lusa na então capital brasileira. Este português de fino trato chegou a dirigir a Repartição de Propaganda da Casa de Portugal, esteve ligado ao Gabinete de Cultura.
Nos últimos anos, uma afecção (visão dupla) quase o cegou. Nunca perdeu as suas invulgares qualidades intelectuais. Faleceu de pneumonia na sua residência do Rio de Janeiro em 4 de Fev. 1977, com 85 anos.

5 - O SPORTING e o BENFICA muito beneficiaram do “FILÃO” do Barreiro. Um à parte
Pode afirmar-se - na generalidade - que nos anos 30, 40, 50, as “canteras” do Barreiro (passe o espanholismo) encontravam-se na máxima laboração, enriquecida com a actuação de numerosos clubes populares. A actividade futebolística dos clubes de bairro (ou de rua) foi diminuindo nos dois decénios seguintes e minorando mais acentuadamente a partir dos anos 80. E ia acontecendo, p. ex., que – ao contrário de outros tempos - nas primeiras categorias do F.C.Barreirense, os naturais do Barreiro iam-se tornando sempre em menor número.  
Neste escrito vamos passar em revista futebolistas de cunho barreirense que, na História já um tanto passada, foram deixando as colectividades do Barreiro  a fim “abastecer” os “dois maiores” de Lisboa. E decidimos memoriar atletas que – segundo nos afiançaram – já pagaram tributo à vida!.. (Assente-se que estas linhas foram redigidas em meados de Fevereiro de 2010).
Quando Júlio de Araújo publicou em 1927 o atrás aludido artigo n´ “O Barreirense” já os “pesqueiros” do Barreiro tinham começado a fornecer uma ou outra “truta” futebolística a clubes da outra margem do Tejo. Júlio Araújo fora o primeiro desportista da bola do Barreiro a passar para o Sporting e Júlio Miranda o primeiro da mesma procedência a aportar no Benfica. Em jornal local de 1926 lê-se que Júlio Miranda (então já em Lisboa) estava indigitado para vir treinar o Barreirense. Mas foi o metódico engenheiro luso-alemão Augusto Sabbo que – no princípio de 1927 - passou a ocupar o comando técnico do F.C.B., introduzindo o seu sistema de “triangulação”. Sistema este que se salientaria durante bons anos, e que muitos denominavam “A Escola Barreirense”.  
Muito em especial recordamos aqui o jogador de alcunha local “Tétas”. O S.L.Benfica foi o primeiro clube a dispender capitais para angariar a assinatura dum futebolista do Barreiro. Foi ele, precisamente Constantino Silva, o “Tétas”, do Barreirense, ferroviário, que actuou no primeiro team das “águias” em 1920/21.  (Vide em anexo, a única imagem que conhecemos dele. De Júlio Miranda não possuímos nenhuma).  
Mas Tétas logo tuberculizou, definhando atrozmente pelo Barreiro até entregar a alma ao Criador. Um grande futebolista foi ele – recordou-nos um sabedor – brilhando no notório (antigo) posto – assim denominado - de halfback-centro, que exigia intensa movimentação.
Boa parte dos atletas a seguir mencionados foram produto das escolas do F.C.Barreirense. Daremos relevo aos que envergaram a ”camisola das quinas”. Tantas velhas glórias do nosso futebol... Presta-se-lhes aqui homenagem, a todos, também aos que ficarão por mencionar. Honraram o Barreiro, a terra que chegou a constituir – escreveu-o alguém – como que um “estandarte de honra” do futebol nacional. Fizeram parte do “filão” do Barreiro...

 

IDOS PARA O SPORTING C. P.: O primeiro ás do futebol barreirense a radicar-se no Sporting foi Manuel Soeiro (em 1933/34), que já tinha atingido a internacionalização pelo Luso F. C. contra a Jugoslávia, em 1932. Nos leões, M. Soeiro tornou-se por várias vezes o melhor marcador dos campeonatos. Vieram juntar-se-lhe o malabarista Pedro Pireza (produto do F.C.B., que em 1930 disputara no Marrocos o primeiro encontro internacional B), João Azevedo (principiou no F.C.B. como suplente de Francisco Câmara, em 1933/34, passou para o Luso, transitou para o Sporting onde se manteve ao longo de 17 épocas, tendo-se sagrado 7 vezes campeão nacional) e Armando Ferreira (F.C.B.). Formaram um “quarteto”(!) leonino de naturais do Barreiro, ao longo de quatro épocas (1939/1943). Depois chegaram mais dois épicos: Manuel Vasques (CUF, o “Malhoa”, ou o “Galgo de Raça”, um dos “violinos”) e Carlos Gomes (F.C.B., que depois do Sporting e da selecção muito se evidenciou em dois clubes espanhóis). Nas primeiras do Sporting também actuaram Eliseu Cavalheiro (F.C.B.), o palmelense Wenceslau Gomes da Costa (F.C.B.) e Manuel Gervásio (F.C.B.). Outro notável guardião (camarro) chamou-se Libânio Avelar (CUF, Vit. Setúbal, que se sagrou campeão nacional pelo Sporting em 1961/62 e - na II Divisão - pela CUF e pelo F.C.B.). Actuantes nas reservas foram, entre outros, Henrique Almeida “Valadares” (júnior da CUF, que se passou para o Sporting, F.C.B., neste também activo como massagista), Armindo de Carvalho (F.C.B., Luso, depois Sporting, por fim demandou Nova Lisboa/Angola).
Um caso excepcional foi o de Albano Pereira. Graças ao pedagogo do futebol Artur Baeta, o seixalense Albano estreou-se no Barreirense, onde ajudou a conquistar o distrital de juniores de 1938/39. Jogou depois na terra natal já como sénior, transferindo-se para o Sporting, onde se tornou um dos lendários “Cinco Violinos”.
Mas os “violinos” do Sporting foram “seis”, não “cinco”. Isto, se se considerar as vezes que o barreirense Armando Ferreira jogou com, ou em substituição do mais jovem Jesus Correia, isto durante as quatro épocas 1945/49. (Jesus Correia era atreito a lesões e, como bem se sabe, assumiu-se também titular da nacional de hóquei em patins). E neste contexto diga-se que Armando Ferreira, se distinguiu como o primeiro seleccionador nacional de futebol nado no Barreiro. Além disso, assumiu, por três vezes, o cargo de treinador dos leões e actuou também como ... “espião” junto dos próximos adversários estrangeiros.
Na temporada 1943/44, o Sporting apresentou várias vezes 4 ex-F.C.B. em jogos oficiais, que foram Azevedo, Armando Ferreira, Eliseu Cavalheiro e Albano. E, em 2 encontros da mesma época, nada menos de 5 ex-F.C.B. (!) defenderam as cores do clube, quando àqueles 4 se juntou a velha glória Pedro Pireza na sua última época leonina. 

 

IDOS PARA O S. L. BENFICA: Álvaro Pina (internacional pelo Barreirense contra a Espanha em 1930, no Porto), António Vieira, o “Tó Francês” (moitense, iniciou-se no F.C.B. com 19 anos, em 1931, seguiu para o Vit. Setúbal, elevou-se bem alto no Benfica em 1936/39), Raúl Baptista (F.C.B., que em 1935/38 ajudou o Benfica a conquistar os três primeiros campeonatos máximos em sucessão, o primeiro trio encarnado deste tipo, no posto de médio-direito), Francisco Batista “Nina” (F.C.B., 1938/41 a médio-direito), Francisco Eloy (de Alhos Vedros, surgido no F.C.B), Manuel Jordão (F.C.B., que se retitou cedo devido a terrível doença), Francisco Moreira (F.C.B., águia de 1944 até 1954 (!), o veterano que se sobrepunha a jovens e que, para o final,  chegou a ser “intitulado” de “Pai Natal”), Arsénio Trindade (F.C.B., o veloz supergoleador dispensado aos 29 anos pelo Benfica ao Desp. da CUF, onde saiu vencedor da Bola de Prata em 1957/58, o troféu para o melhor marcador da I Divisão), José Clímaco (Luso), José Luís (Florêncio, F.C.B., de regresso do Benfica representou a CUF), José Gomes (Luso, o esquerdino rápido, de volta do Benfica passou para o F.C.B., onde veio a laborar como contínuo na Sede), Félix Antunes (CUF do Barreiro, CUF de Lisboa, o defesa-central brilhante e possante, de técnica virtuosa, que - quando benfiquista - viveu um muito falado caso num encontro contra o Vitória em Setúbal), Rogério Contreiras (iniciado no F.C.B. o seguro guarda-redes alentejano), Eduardo Corona (Lavradiense, Luso, brilhou no Benfica como ponta-direita rápido e lutador), Rogério Fontes (F.C.B., coriácio defesa-esquerdo).
Realce bem especial vai para o ribatejano Manuel Bento (do F.C.B. para o Benfica, o magnífico guardião que também ocupou o cargo de capitão do team de honra e da selecção (!). Entre os que não actuaram oficialmente nas primeiras do Benfica relembremos Costa Fernandes “Zé Ruço” (ex-CUF), José Vaz “Palrão” (ex-CUF), Francisco Lima “Bananim” (Sport Lisboa e Barreiro, da Rua Aguiar, depois do Benfica, Belenenses e outros clubes, que obteve sua alcunha em garoto porque vendia e apregoava guloseimas, também às portas dos cinemas). E Álvaro Gião, ecléctico, outro barreirense de gema, hoquista no Luso, depois F.C.B, que subiu às segundas categorias do futebol benfiquista, mas desistiu desta modalidade. Manteve-se na prática do hóquei em campo, modalidade em que se tornou o praticante mais representativo do país. Por fim dedicou-se bastante ao jornalismo desportivo.
A propósito: o Benfica sagrou-se campeão nacional de 1949/50 com cinco atletas feitos no Barreiro (!): Félix “Pantufas”, Moreira, Arsénio, Corona e Contreiras. Constituia - lia-se na imprensa - a “Embaixada do Barreiro” ou a “Quinta Coluna” (vide o anexo final). E, com os mesmos cinco jogadores, apresentou-se o Benfica na Taça Latina de 1950, em Lisboa, o primeiro torneio internacional oficial conquistado por uma equipa portuguesa de futebol. Demasiado para uma localidade só? Bem, o que aqui se apresenta é apenas uma análise reduzida. E quanto aos outros atletas feitos nas escolas do Barreiro, que defenderam as cores do Belenenses, dos Unidos (CUF) de Lisboa, do Atlético (e do Carcavelinhos), de clubes da zona oriental de Lisboa, do Alentejo, Ribatejo, do Norte do país, de Angola? Foi um plêiade grandiosa, cuja memória não poderá ser metida numa gaveta...  Pelo menos desejamos contribuir um pouquinho para que não seja.

UM À PARTE (OS “ACTORES” DA BOLA) - Em anexo, inserimos imagens de quase todos os antigos futebolistas que acima se mencionam. Algumas das fotos utilizadas foram divulgadas há decénios em cromos da bola. Mas – atenção! – no Barreiro, em tempos que já lá vão há muito, em vez de cromos, dizia-se “actores”. Portanto, não só no caso daquelas colecções de artistas de Hollywood, ou do Parque Mayer lisboeta, mas também quanto a jogadores de futebol, e até nas séries mostrando animaizinhos. É verdade, nos retratinhos de jogadores de futebol, que se adquiriam a tostões, com rebuçados ou não, em especial nas tabernas, mais tarde nas papelarias, falava-se sempre de “actores”. Perguntava-se à camarro a outro jovem. “-Eh pá eh, tens actores p’a trocar”. Tudo se fazia para obter, por exemplo, “actores” mostrando a efígie do Azevedo, ou do Moreira, ou do Armando Ferreira, ou do Arsénio, ou do Félix. E também os cromos de futebolistas do Barreirense e da CUF, disputando a I Divisão. Aqueles retratinhos com tantos chutadores de bola que todos conhecíamos de os ver passar. (A propósito: o Félix foi vizinho de quem aqui escreve, durante muito tempo na Rua Elias Garcia, Barreiro, antes de ele emigrar no início dos anos 60 para a África do Sul. Imagine-se, o orgulho, que sentia este então garoto... Residir por ali o “Pantufas” que tinha sido, por quinze vezes, o defesa-central da “selecção das quinas”.... E que fique aqui - mais para sorrir – que o Félix era o melhor jogador de “bonecos” no Café Barreiro...).
Mas o orgulho sentido pelos barreirenses naquelas épocas não era apenas devido aos craques do futebol. Também devido aos ases das outras modalidades desportivas, em especial do basquete e do remo. Também em virtude dos grandes artistas de teatro, cantores, músicos e filarmónicos, que surgiam no âmbito das colectividades, da rádio, do cinema, depois da TV. Também devido aos artistas fotográficos, aos poetas, aos jornalistas, aos cronistas, aos mestres do artesanato, tantos bons cultores das belas artes. Era o Barreiro...

 

6 - Em 2001, “100 anos de Futebol no Barreiro”.
Quem assina o presente trabalho sabia da existência, desde havia muito tempo, da crónica de 1927 “Um pouco de história...”, atrás referida. (Isto graças à sua colecção de antigos periódicos editados pelo F. C. Barreirense). Assim, logo em 25 de Novembro de 2000 iniciámos  na “Voz do Barreiro” uma série de 32 artigos (de página) intitulada “Ano 2001 – Centenário do Futebol no Barreiro”. Redigimos no primeiro escrito: “... Foi o futebol que mais alto levantou o nome do Barreiro desportivo ao longo de gerações (e isto a despeito dos enormes êxitos conseguidos em outras práticas desportivas) ... Como dar realce a tal data? Não será ... difícil a uma Comissão Organizadora estabelecer um programa condizente e ajustado a um momento tão alto do nosso desporto ...”.
Dirigimo-nos por escrito à Câmara Municipal, chamando-lhe a atenção para a efeméride relembrada naquele nosso artigo de Novembro 2000. Também remetemos cópia daquela nossa crónica à atenção de clubes históricos do Barreiro. Nada havia que contestasse a asserção de Júlio de Araújo referente ao ano de 1901. A C.M.B. decidiu então chamar a si a organização da respectiva comemoração, com entusiasmo e com a colaboração de muitas boas vontades. Surgiram imagens emotivas de antanho de equipas e atletas notáveis. Entre outros eventos, foi levada a efeito a insigne, vasta exposição “100 Anos de Futebol no Barreiro” (vide anexo). Tudo um êxito enorme! Um belo reconhecimento do desporto-rei no Barreiro...

 
 
 

J. ALFREDO GALLIS

JOSÉ PICOITO

MIGUEL CORREIA

ALFREDO FIGUEIRAS

ALFREDO ZARCOS

DOMINGOS SILVA

J. AUGUSTO PIMENTA

LEONÍDIO MARTINS

NATÉRCIA COUTO

M. ESTER FIGUEIRA

A.C. DE VASCONCELOS

MÁRIO SOLANO “LÁ-VAI”

DUPONT DE SOUSA

HORTA RODRIGUES

LADISLAU BATALHA

FELIZARDO BURACA

RAFAEL PIMENTA

CARLOS COSTA

ARTUR BAETA

MARIA NEVES DA SILVEIRA

Pe SANTOS COSTA

JOAQUIM MADUREIRA

JÚLIO ARAÚJO

ARMANDO DA SILVA PAIS

 
 
     
   
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